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Fazer uma leitura ambiental
Na profissão que exerço lida-se com pessoas diferentes quase todos os dias, nunca ou quase nunca vou para casa do mesmo paciente nesta semana cuidei de duas pacientes diferentes, uma em fase terminal, a outra acabada de sair do hospital.
Paciente numero 1: em fase terminal de vida;
cheguei e fui recebido por um neto que não quis entrar em casa da avó e a mãe dele que era a filha da paciente nem sequer desceu para falar comigo,
o neto diz-me com um enojado que a avó agora está sempre a fazer barulhos esquisitos e de facto eu ainda não tinha entrado em casa da paciente e já a ouvia a gemer aflitivamente, deixei que ele se fosse embora e fui atender à paciente, como já não tem a capacidade de verbalizar eu tive usar a técnica de prestar cuidados no bom interesse da paciente, reparei que estava com a fralda suja e molhada mudei-lhe a fralda e a paciente dormiu o resto da noite sem gemer.
No dia seguinte fui de novo para a mesma paciente e desta vez não havia ninguém lá para me receber a doente estava ali sozinha e a gritar consegui perceber a palavra; ajuda-me e mais uma vez reparo que a senhora tinha a fralda suja e molhada, mas era recente , mudei-lhe a fralda e ela acalmou, por volta da uma da manhã ela voltou a ficar ansiosa e a gemer, fui investigar e vi que ela estava de novo com a fralda suja, de novo mudei-lhe a fralda, e ela dormiu o resto da noite.
Paciente numero 2: acabada de ter alta hospital e mandada para casa com um pacote de cuidados de reabilitação.
No relatório dizia que a doente sofre de demência vascular, cheguei à residência da paciente e toquei à campainha foi a filha que abriu a porta, e o que me surpreendeu foi o facto dela ter um quarto no piso superior preparado para mim para eu dormir, enquanto que a mãe dela ficava no piso térreo, eu tive que controlar a minha vontade de rir, enquanto lhe explicava que eu não estava ali para dormir mas sim para cuidar da mãe dela (a paciente), ela olhou para mim com ar surpreso, e eu voltei a explicar que eu sou enfermeira auxiliar de cuidados paliativos e reabilitação de doentes com alta hospitalar masque precisam de mais um apoio extra até adquirirem as suas capacidade normais de vida, apresentei-me à paciente e expliquei-lhe porque é que eu ali estava, ela aceitou bem o facto de eu ali estar para cuidar dela, a filha passado um tempo foi-se deitar e eu fiquei na sala a fazer companhia à paciente, por fim fui para a cozinha onde abri o meu computador e me pus a estudar indo de vez em quando ver se a paciente estava bem, ela recusou-se a ir para a cama e passou a noite sentada na cadeira com as pernas levantadas e não necessitou da minha intervenção uma única vez.
Em ambas as situações eu li no ambiente que ninguém queria estar perto daquelas doentes e senti pena delas
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